domingo, 25 de novembro de 2012

COEDUCAR É PRECISO!

"Instruir e aplicar uma filosofia de educação dinâmica que busque a renovação permanente e que esteja voltada para o desenvolvimento de um consciência social, participativa, crítica, democrática e empreendedora".

Durante muitos anos  a principal missão das escolas era informar, mas nos dias de hoje, a escola não pode exercer mais esse mesmo e exclusivo papel, pois a indústria da informação anda a passos bem mais largos,  há novos conhecimentos e serem produzidos a uma velocidade tal que a rotina escolar  não mais consegue acompanhar, é inegável.
Perante este facto, qual é, então,  o papel da escola? Sabe-se que hoje a exigência é que os indivíduos saibam utilizar as informações e consigam  aplicar bem os conhecimentos adquiridos em situações  bastante diferenciadas. É esse o motivo porque  se seguem alguns princípios que são julgados fundamentais para o desenvolvimento do seu trabalho pedagógico.
A preocupação central da escola é contribuir para a formação da inteligência das crianças e jovens, através da difusão do conhecimento, do estímulo à investigação, da busca pelo saber. A formação da inteligência exige muito mais que a assimilação de conceitos, a reprodução de informações. Exige uma postura activa de quem aprende, pressupõe autonomia, capacidade de criação, de reflexão, de crítica. Interessa à escola que as crianças e jovens adquiram autónomamente os conhecimentos disponíveis, utilizando-os para as finalidades que se colocarem na sua vida social. São tarefas da escola, portanto, o trabalho de ajudá-los a distinguir e a selecionar informações que sejam essenciais aos propósitos que tenham, para tomar decisões refletidas e responsáveis; propiciar-lhes condições para o desenvolvimento das competências que necessitam para saber fazer, isto é, para comportar-se de modo adequado e satisfatório ao enfrentarem múltiplas situações e proporem-se a solucionar problemas sempre novos e diferentes, num mundo em constante processo de transformação.
Numa escola cooperativa, os aspectos ligados ao fazer coletivo ganham especial relevância: acreditamos que a aprendizagem individual é singularmente favorecida pela interação entre os alunos. Aprender a trabalhar em equipe é adquirir uma competência fundamental para, posteriormente, estabelecer relações interessantes e produtivas no mundo do trabalho. Educar para a cooperação deverá ser o valor primeiro da escola e adquire especial relevância num mundo marcado pela competição. O exercício da solidariedade, da tolerância, da participação, da co-responsabilidade, do respeito, da liderança democrática tem na escola o cenário ideal para sua vivência.
É igualmente  importante que o aluno esteja preparado para interagir de modo interessante na sociedade: expressando e fundamentando as suas opiniões, criando e apresentando propostas novas para a resolução de problemas. A escola favorece a emergência desses comportamentos ao garantir que os conteúdos escolares tenham significado através da criação de contextos de aprendizagem cada vez mais adequados. O que se ensina e se aprende precisa fazer sentido para o professor e para o aluno. Principalmente, acreditamos que todos podem aprender: todos devem ter respeitada a sua singularidade e devem ser apoiados e incentivados a avançar nas suas conquistas. A escola mantém grupos de alunos para o reforço de aprendizagem, apostando sempre que as crianças e jovens devem ter novas oportunidades para continuar aprendendo.
A formação de padrões internos de conduta, de autodisciplina, de identidade pessoal que permitam ao aluno expressar sua subjetividade, mas expôr com segurança suas opiniões não se faz sem a vivência em liberdade. A educação exige firmeza de propósitos, disciplina consciente, vontade de aprender e realizar, liberdade para decidir. A convivência escolar deve permitir que o aluno aprenda essa lição indispensável: só é livre quem é responsável por seus atos. Essa consciência não é derivada do medo, da coação, do conformismo, ou de imposição externa de normas de disciplina.
 
Depois de todos estes considerandos de ordem geral, vamos tentar descobrir o que tem a vêr a coeducação com o Escutismo... que até foi um dos primeiros movimentos associativos a debruçar-se sobre a coeducação como método educacional a seguir na educação integral dos nossos jovens. Foi uma longa caminhada que se encetou ainda nos tempos do saudoso Chefe Nacional D. José de Lencastre, do grande Chefe Nacional da Formação de Dirigentes - ou Pedagógico, como lhe queiram chamar,  que foi o Dr. Manuel Faria, alma mater do Campo Escola Nacional de Fraião, onde tantos dirigentes aprenderam a viver o espírito do Fundador BP mas também os valores da coeducação, numa fase mais tardia daquele Campo Escola.
Todos os parâmetros que acima se expõem sobre coeducação são a mola real do Escutismo de hoje, que tem uma condição essencial para obter sucesso na execução de um projeto pedagógico, que é a coesão das pessoas que compõem a equipe dirigente: os valores, o modo de entender e de estar no mundo precisam ser partilhados para que haja afinação, para que a sintonia seja perfeita.
Todos os que integram a equipe dirigente terão de ser  essencialmente educadores responsáveis pela execução do processo de aprendizagem e também responsáveis pela formação das crianças e jovens, em parceria com as suas famílias.
Será assim que,  semanalmente, em reuniões devidamente programadas, os Dirigentes do Agrupamento se devem reunir para estudar, trocar experiências e socializar modos de fazer pedagógico, ao mesmo tempo que complementam a sua formação pela descoberta de novas propostas educacionais, analisam e discutem a prática da vida na sede ou no campo, elaboram programas de actividades e material necessário normal ou complementar, discutem situações e buscam soluções conjuntas. O valor  desses encontros é a cooperação, a troca, a busca de integração interdisciplinar e interpessoal.
A permanente formação  faz parte das decisões do Conselho de Agrupamento em relação aos seus componentes, para que a vivência escutista tenha cada vez mais qualidade e coerência. A identificação dos Dirigentes com os valores e propósitos do Escutismo é um factor inalienável para o seu sucesso.
O contato freqüente família-Agrupamento, em todas as fases da formação do jovem, é particularmente importante para propiciar uma relação de cumplicidade em relação a essa mesma formação da criança e do jovem: os pais necessitam conhecer e compreender as actividades do Agrupamento, a natureza e os objetivos das actividades para poderem colocar-se como parceiros no processo coeducacional dos seus filhos.