quinta-feira, 17 de maio de 2012

A 'ARTE' DE SER ' CHEFE'



Para quem, como eu, sentiu em criança o 'apelo da selva', que o leva a ser membro de uma Alcateia, talvez lhe seja 'fácil' falar da coragem necessária, nos nossos dias, para se assumir como  'chefe' de Escuteiros, não  tanto pela carga que a chefia vem transmitir, mas pelos constantes  desafios que nos impõe o simples facto de se estar em permanente luta contra alguns 'valores' instalados no quotidiano da sociedade em que vivemos.
Quem pretenda ser animador de jovens terá, forçosamente, que se entregar de corpo e alma que lhe exige, a maior parte das vezes, completa dedicação a um trabalho a tempo inteiro... sem qualquer  remuneração mas com muita 'obrigação', como seja formar pelo exemplo os jovens cidadãos que irão ser os futuros líderes da nossa Pátria, falando de Portugal.
É este um enorme  desafio que vemos ser imposto ao Escutismo dos nossos dias, mas com a manutenção dos valores dos nossos ancestrais transportados para os nossos dias, depois de adaptados às realidades que os nossos jovens hoje têm necessidade de enfrentar, seja no campo ou na cidade.
Para um dirigente escutista, há que encontrar forma de vencer as 'temíveis' pragas que são os computadores, os jogos virtuais, as programações 'agressivas' das televisões que temos, o desenraizamento da vida no campo, os mil e um concertos de 'metálica', 'rock' ou 'kuduro', a vida sem regras vivida na noite... e tantas tentações mais que seria fastidioso continuar.
No Escutismo apenas podemos oferecer as noites de confraternização 'ao redor da fogueira', a realização que é conseguir fazer aquela mesa com amarrações perfeitas, porque é com orgulho que colocam a 'técnica' dos nós em acção... e não é que ficou tudo bem? E o jogo que foi qualquer coisa para recordar, tal o empenho posto no mesmo... até para mostrar aos 'chefes' que merecem ir ao próximo Nacional, não apenas para jogar mas para brilhar. Ai fim e ao cabo, o Escutismo é fiel ao lema "MENS SANA IN CORPORE SANO"!
Perguntamos se será isto suficiente para uma escola de vida virada para uma formação integral e contínua. Estou convencido que é um grande passo como programa educativo dessa 'Escola de Vida'. Estive no activo escutista desde os 6 anos e tenho 68, deixado a actividade há já alguns anos. Foi uma parte importante da minha vida aquela que passei no Escutismo, aprendendo até aos dias de hoje a "cumprir os meus deveres para com Deus, a Igreja e a Pátria e obedecer à Lei do Escuta", como disse no dia da minha Promessa.
Ser Escuteiro não é o andar de calções, cumprimentar com a esquerda, fazer a Saudação, passar uns dias no campo a fazer churrascos, seguir pistas, lançar canções para o ar... pois também há algo de importante que se chama dignificar o UNIFORME ESCUTISTA... e ao Escutismo já alguém chamou o UNIFORME DA ALMA!

Foi a vida que me levou a trocar uma sexta à noite na discoteca por uns bons momentos a acender uma fogueira, longe de tudo e todos, ouvindo os jovens que me foram confiados a tocar as suas guitarras, mesmo de forma desafinada, enquanto cantavam o 'MEN OF HARLECH' ou a 'RADIOSA FLORAÇÃO', o 'GIN GAN GULI' ou a 'FLOR DA FRAGRANCIA'. Troquei a música 'techno' por algo que me tocava mais intimamente, pois eram... os meus rapazes e raparigas que estavam ali em busca de algo na Natureza que fosse impossível Homem vencer!