quinta-feira, 22 de abril de 2010

O DIA DE SÃO JORGE...

Estava a fazer um trabalho sobre o DIA DA TERRA, que hoje se comemora, quando me veio ao pensamento que amanhã, dia 23 de Abril, é o DIA DE SÃO JORGE, o Patrono universal de todos os Escuteiros, que em Portugal o é especialmente dos Exploradores.
Além do mais, São Jorge é o santo patrono da Inglaterra, de Portugal, da Geórgia, da Catalunha, da Lituânia, da cidade de Moscovo e do Rio de Janeiro, embora extraoficialmente, porque o patrono oficial da cidade maravilhosa é São Sebastião.
Neste dia 23 de Abril comemora-se o seu martírio e em o3 de Novembro é comemorada a reconstrução da Igreja de S. Jorge de Lida - Israel, onde se encontram as suas relíquias. Esta igreja foi mandada eregir pelo Imperador romano Constantino I.
A tradição aponta o ano 303 como o ano da sua morte. Apesar de a sua história se basear em documentos lendários e apócrifos, como é o caso do decreto gelasiano do Século VI, a devoção a São Jorge depressa se espalhou um pouco por todo o mundo.
Colocou-se a hipótese de a devoção a São Jorge poder também ter origem na mitologia nórdica, através da figura de Sigurd, o caçador de dragões, mas é uma hipótese rejeitada à partida pelo facto de carecer de qualquer fonte que se possa considerar fidedigna.
Há várias razões para Baden Powell ter consagrado S. Jorge como Patrono Mundial: "S. Jorge foi tudo aquilo que o Escuteiro deve ser: Quando se encontrava perante uma dificuldade ou perigo, por maior que parecesse, mesmo que fosse um dragão, não lhe fugia, nem o receava, mas acometia-o com todas as suas forças e as do seu cavalo. Embora mal armado para tal combate, por apenas estar munido de uma lança, arrematou-a com toda a alma e conseguiu, finalmente vencer uma dificuldade que ninguém se atrevera a enfrentar. É assim mesmo que o Escuteiro deve encarar as dificuldades ou perigos, por muito grandes ou terríveis que pareçam, ou por mal equipado que esteja na luta. Deve arrostá-los ousada e confiadamente, empenhando todas as forças para procurar vencê-los, e é muito provável que o consiga."
Que o teu São Jorge, caro Irmão Escuteiro, seja de renovada caminhada na Pista do Bem, combatendo o bom combate com as armas da Fé no Chefe Divino, que nos indica o Caminho a Seguir sem obstáculos, para que possas chegar ao Fim de Pista ciente de que terás à tua espera um lugar na tenda do Pai, junto de todos os seus Anjos e Santos... e na presença do nosso São Jorge, por quem gritamos com alma: "ARRAIAL...ARRAIAL... POR SÃO JORGE E PORTUGAL". Desculparás não pôr o grito completo, mas sabes que também há outros Movimentos para além do CNE... e também eles quererão invocar a AEP, por exemplo... estás a perceber a ideia?
De qualquer modo, uma grande canhota e SEMPRE ALERTA PARA SERVIR
Teu amigo Lobo Esfaimado.

domingo, 11 de abril de 2010

O CRISTO DAS TRINCHEIRAS

O Cristo das Trincheiras, o túmulo do Soldado Desconhecido, a Chama da Pátria


Caríssimo Irmão Escuta:
Certamente já visitastes o Convento de Santa Maria da Vitória, que talvez conheças melhor se te disser que é vulgarmente conhecido por Mosteiro da Batalha.
Nos meus tempos à frente dos destinos dos jovens que me foram sendo destinados nos Agrupamentos onde tive a dita de trabalhar, como Dirigente ou como colaborador eventual, era um ponto de honra visitar, no dito Mosteiro, a Sala do Capítulo e nesta o túmulo do Soldado Desconhecido. Aí senti sempre especial veneração por uma imagem, bastante mutilada, representando Jesus Cristo Crucificado... que durante muito tempo nem cruz tinha. Esta Imagem do nosso Divino Chefe tem uma história, que me proponho contar-te:
O Cristo das Trincheiras
O "Cristo das trincheiras" é uma das raras relí­quias recuperadas pelas forças portuguesas que estiveram em França durante a I Grande Guerra e merece uma referência especial por retratar a fé de quem se sentia abandonado num país estrangeiro, a combater numa guerra que parecia não fazer sentido. A imagem do "Cristo das trincheiras", que não é, obviamente, portuguesa, encontrava-se na zona defendida pelo Corpo Especidioná¡rio durante a ofensiva alemã que quase destruiu a 2ª. Divisão de Infantaria e, no meio do caos, foi trazida pelos militares que conseguiram reagrupar-se e regressar às linhas aliadas.
É quase inimaginá¡vel que, debaixo das barragens de artilharia alemãs, que dizimaram grande parte do contingente português, a opção de alguns militares fosse a de trazer consigo a imagem de Cristo, severamente danificada, e a colocassem num local seguro, onde pudesse ser novamente venerada.A imagem foi trazida para Portugal 50 anos após a batalha, oferecida pela França, encontrando-se actualmente no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, junto do túmulo do Soldado Desconhecido, um dos muitos cuja identidade se desconhece e que perderam a vida na Grande Guerra. Mais do que um episódio ocorrido durante a 1ª. Guerra Mundial, o "Cristo das trincheiras" simboliza a fé que manteve os Militares Portugueses na linha de frente durante um par de anos, praticamente sem licenças, mal abastecidos, sentindo-se abandonados por quem os enviou para combater por algo que a maioria não entendia.


A imagem de Cristo, mutilada, nos campos de La Lys

Caros Escutas que me lerem: Quando passarem na Batalha, não se esqueçam de passar pelo túmulo do Soldado Desconhecido e aí, ao mesmo tempo que prestam as vossas homenagens aos Heróis que, anónimamente, deram o seu sangue pela Pátria, curvem-se perante o Divino Chefe, Jesus Cristo, que mesmo mutilado pela metralha alemã, foi apoio e lenitivo para os nossos Militares em terras de França.