terça-feira, 27 de novembro de 2007

O ESCUTISMO EM PORTUGAL - I


Confesso que estar a descrever aquilo que foi a caminhada do Escutismo em Portugal, logo após Bronwsea ter servido de laboratório de ensaio onde decorreu a experiência levada a cabo com os jovens que viriam a constituir-ser como pioneiros de algo tão grandioso como é o Movimento em boa hora criado pelo Fundador, Lord Robert Smith Stephenson Baden-Powell of Gilwell, é tarefa demasiadamente importante para quem, como eu, tão pouca importância veio a ter no Escutismo, nos anos em que, com orgulho, enverguei a farda de tão extraordinário Movimento de Juventude.
Não foram fáceis os primeiros anos, mercê das "perseguições" feitas aos Escutas - voluntários num Movimento de juventude - por causa da Mocidade Portuguesa - movimento similar, mas de carácter obrigatório - que arriscavam "faltas não justificadas" nos liceus e escolas técnicas que frequentavam, por ordem expressa da hierarquia do País.
A Associação dos Escoteiros de Portugal (AEP) também nasceu depois da experiência tida em 1911, por iniciativa do então governador do território de Macau, Tenente Álvaro de Melo Machado, quando ali fundou o 1º. Grupo de "Escoteiros" em território português. No regresso a Lisboa, em 1912, Álvaro Machado empenhou-se na formação de um Grupo na Capital, que veio a ser o Grupo nº. 2 da AEP, porque a Associação Cristã da Mocidade já havia criado do 1º. Grupo.
Graças à enorme divulgação dada pelo jornal "O SÉCULO", que vinha publicando artigos sobre Escutismo. dando a conhecer o que era, os métodos e objectivos do mesmo, convidando ainda os jovens dos Liceus e Escolas a aderir a este Movimento, acabando assim por aparecer um Grupo no Liceu de Pedro Nunes, em Lisboa, de que Carlos Botelho, ínsigne pintor, veio a ser um dos fundadores. Era um Grupo bastante eclático, sem preconceitos de ordem religiosa, pois havia ali católicos, protestantes, agnósticos e judeus. Em pouco tempo começavam a surgir Grupos um pouco por todo o País, sendo um dos Grupos do Porto apelidado de "Adueiros".
Ao ser criada a AEP, filiaram-se nela o Grupo 3 de Leiria, o Grupo 4 de Torres Vedras, o Grupo 5 da Escola Normal do Calvário (Lisboa), o Grupo 6, derivado do Grupo 2, o Grupo 7, da União Cristã de Jovens (Lisboa), o Grupo 8 de Faro, o Grupo 9, da Rua da Madalena (Lisboa), o Grupo 10, do Palácio do Governador de Lourenço Marques (Moçambique), o Grupo 18 do Colégio dos Órfãos de S. Caetano (Braga), o Grupo 16 da Rua de Sá da Bandeira (Porto). O primeiro Grupo feminino da AEP ficou com o nº. 28.
Seria fastidioso estar a enumerar todos os Grupos que foram sendo criado ao longo destes anos, mas também temos o problema da tal perseguição, encetada a favor da Mocidade Portuguesa, que levou ao encerramento de muitos Grupos, que não resistiram ao poderio emanado de S. Bento, apesar de o Presidente da República, Dr. Bernardino Machado, ter aceite, em 1916, ser presidente honorário da AEP. A acção dos Escoteiros no incêndio do Arsenal do Alfeite, foi mui elogiada por toda a imprensa da época, pois salvaram das chamas um acervo valioso de livros e do espólio da Escola Naval. Foi considerada como Associação de beneficiência e benemérita. Também foram foram importantes as realizações levadas a cabo pela Associação dos Escoteiros de Portugal. Em 1919 propôs ao Governo, e este concedeu-a, a Comenda da Ordem Militar de Cristo a Baden-Powell. Em 1920 a AEP participou no 1º. Jamboree Mundial, em Olympia - Londres, recebendo passaportes diplomáticos de Portugal todos os participantes. Em 1924 participa a AEP no 2º. Jamboree, desta vez na Dinamarca. Em 1925 realiza a AEP a 1ª. Conferência Nacional do Escoteiro, na Câmara Municipal de Lisboa. Em 1927, a 13 de Agosto, realiza a AEP o seu primeiro Acampamento Nacional, que teve lugar em Queluz e teve a presença de Escoteiros de todo o País. Em 1929, no dia 04 de Março, atracou no Cais da Rocha o Paquete "Duches of Richmon", que trazia no mastro real arvorada a flâmula do Escoteiro Chefe. Dava-se inicio à 1ª. visita de Baden-Powell a Portugal, que foi recebido pelo Comissário Nacional da AEP, Dr. Tovar de Lemos e outros importantes membros da Associação, tal como do Dr. Weiss de Oliveira, do Corpo Nacional de Scouts (CNS), que havia sido fundado em 1923.
De outros eventos iremos falando nos próximos escritos. Até lá BOA CAÇA, são os votos do Lobo Esfaimado.

O FUNDADOR ROBERT BADEN-POWELL


segunda-feira, 19 de novembro de 2007

A CHAMA DO CENTENÁRIO

------Na vida de qualquer Escuteiro, a chegada de um grande acontecimento como é a participação num "Rover", num "Nacional", num "Regional" ou num "Nacional" é momento digno de ser registado como um momento forte e inolvidável, pois marca a conquista de novas etapas no seu crescimento como Escuta. Agora imagine-se participar num "Nacional" que se realiza em comunhão com o Jamboree que comemora o Centenário do Escutismo... porque não é apenas a participação num evento irrepetível, mas tão só o comemorar dos 100 anos de Brownsea, que foi "apenas" o "avôzinho" de todos os acampamentos escutistas jamais realizados. Foi ali o laboratório onde Baden-Powell trabalhou em prol de um projecto que o haveria de tornar Cidadão do Mundo e o Chefe Fundador ou Mundial do Escutismo! Sim! Em Brownsea foi preparado o grande Movimento que congrega milhões de jovens em todo o Mundo!
-----O Corpo Nacional de Escutas, realizou na Quinta do Monte do Trigo, em Idanha-a-Nova, de 30 de Julho a 06 de Agosto de 2007, o seu 21º. Acampamento Nacional - o ACANAC ou 13º. Jamboree de Portugal . Estiveram presentes cerca de 10.000 Escuteiros Portugueses e Estrangeiros. Foram jovens Escoteiros provenientes de todo o Continente e das Ilhas dos Açores e Madeira e Escuteiros dos Países de língua oficial portuguesa, como são os casos de São Tomé e Princípe, da Guiné-Bissau e Cabo Verde, além de Escuteiros de França, Bélgica, Espanha e China (Hong-Kong). Foi Chefe de Campo o Chefe Nacional do CNE, Luis Alberto Lindington.
-----No dia 31 de Julho, cerca das 21H00, deu-se a chegada, aos Paços do Concelho de Idanha-a-Nova, da "Chama do Centenário" do Escutismo, que foi acesa no Quénia, sobre a campa de Robert Baden-Powell - o fundador do Escutismo - e transportada através de África e da Europa. Em França, a caminho do Jamboree Mundial que aconteceu em Inglaterra (Brownsea) em simultâneo com o ACANAC, foi a "Chama" entregue aos elementos da Fraternidade Nuno Álvares (antigos Escuteiros do CNE) que a transportaram para Portugal, onde ficou exposta no cimo do Monte Trigo, depois de haver passado por diversas Regiões Escutistas. Estiveram presentes na cerimónia da entrega da "Chama" ao CNE, o Presidente da Câmara Municipal, Engº. Álvaro Rocha e o Bispo da Diocese, D. José Alves.
----- No dia 01 de Agosto, pelas 08H00, procedeu-se à renovação da Promessa de todos os participantes no ACANAC, sendo esta renovação feita em sintonia com todos os Escuteiros do Mundo.
----- A Casa da Moeda, numa feliz iniciativa, cunhou e colocou em circulação uma moeda de 5 €, comemorativa do Centenário do Escutismo e dos 150 anos do nascimento do seu Fundador - Lord Baden-Powell of Gilwell.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

SIMBOLOGIAS ESCUTISTAS

------Só quem nunca assistiu a uma "Velada d'Armas" poderá desconhecer como é importante, na vida dos rapazes, aquele momento em que, antes de se tornar membro efectivo e perene dessa Fraternidade de âmbito mundial a que se chama ESCUTISMO.
------Na verdade, o Escutismo é uma miscelânea de sinais, começando pela "canhota" e acabando no fogo, depois de passar por uma enormidade de outros sinais que tornam atractivo e misterioso o mister de ser Escuteiro. Não é que se encontrem quaisquer semelhanças com as sociedades secretas como a Maçonaria ou a Opus Dei, por exemplo. Na "Velada d'Armas" apenas fazemos a representação daquilo que se fazia nos tempos medievais para preparar os novos cavaleiros para as missões que teriam pela frente, na protecção de órfãos, dos oprimidos e das donzelas, além da defesa dos locais santos da cristandade.
------A "Flôr de Lis" simboliza a paz e a pureza de vida que todo o Escuteiro deverá conservar durante toda a sua caminhada pelo mundo. Esta flôr, o lírio, não foi adoptada pelos Escuteiros apenas por essa razão, porquanto , na Idade Média, Carlos, Rei de Nápoles, tinha como timbre a flôrde-lis, por causa da sua ascendência francesa. No seu reinado, o navegador Flávio Giola tornou a bússula num instrumento mais prático e fiável. Como o Norte também é referido, na Itália, por "Tramontana", o nosso homem colocou um "T" maiúsculo a marcar o Norte, mas, por cortesia, combinou esse "T" com uma "Flôr-de-Lis", que era o timbre real, pelo que desde então passou a ser utilizada universalmente para indicar o Norte nos mapas, cartas de navegar e bússulas. O verdadeiro significado da "Flôr-de-Lis" como distintivo dos Escuteiros é porque ela aponta sempre a direcção certa, sem desvios à direita ou esquerda, porque estes dois sentidos nos fazem voltar ao ponto de partida. Os três braços da "Flôr-de-Lis" simbolizam os três Princípios do Escuta e bem assim da Promessa de Escuta - Os deveres para com Deus, o Próximo e a Lei.
------No Corpo Nacional de Escutas, por debaixo da "Flôr-de-Lis" vemos o "ALERTA", que é o Lema do Escuteiro, a sua Divisa, normalmente derivado do Inglês "Be Prepared" - "Estar Preparado", que foi adaptado do símbolo das Forças de Polícia Sul Africanas. Cada país acabou por criar o seu Lema, sendo que, entre nós, a Associação dos Escoteiros de Portugal escolheu o "Sempre Pronto". Por debaixo da "Flôr-de-Lis" e do Lema, está pendurado um pequenino cordel com um nó. Este nó, tal como o nó que damos no lenço, de vez em quando, serve para recordar a "Boa Acção" do dia.


------Perguntaram, certo dia, a um jovem Explorador, quando este regressava de uma reunião de Patrulha, porque é que os Escuteiros se cumprimentavam com a mão esquerda, se pertenciam a alguma seita secreta ou se havia qualquer outra coisa, como um problema físico... o que deixou o nosso jovem a rir às gargalhadas: - "Seita secreta? Problema físico? Qual quê! Só acontece isto porque sou Escuteiro e estes cumprimentam-se com a mão esquerda para que a direita esteja sempre livre para ajudar o meu semelhante em todas as circunstâncias! Mas também serve para que, quando algum Escuteiro de outro país nós vê a cumprimentar deste modo, sabe logo que somos Escuteiros, porque em todo o mundo nos cumprimentamos assim!"
------Na "Velada-de-Armas", o candidato a Escuteiro é convidado a fazer parte da grande Fraternidade Escutista. Nesta cerimónia procede-se à benção das insígnias maiores que passará a ostentar: - A Insígnia da Promessa, o Lenço de Escuteiro e o Chapéu de abas ou o "Beret". Cada um deles com o seu sentido, cada um com a sua força, são a prova definitiva de pertença a esse Movimento sem igual que Lord Robert Baden-Powell, o Fundador, um dia resolveu legar ao Mundo.
------Este trabalho não acaba aqui, pois o Escutismo é movimento, é vida, é caminhada ao encontro dos outros, visando o encontro com o Chefe Divino.
Continua......

sábado, 10 de novembro de 2007

ESCUTISMO: UMA EXPERIÊNCIA DE VIDA!

-----O Escutismo é uma "ESCOLA DE VIDA", que habilita o rapaz (ou a rapariga) a viver segundo um espírito muito diferente daquele que teria adquirido... se não seguisse o espírito do Fundador!
-----Será que Baden-Powell possuía uma receita secreta para dar ao rapaz um carácter diferente daquele que estamos habituados a vêr nos outros jovens nos seus escalões etários? Pode-se dizer que sim! B.P. descobriu o "elixir do bom rapaz", uma beberragem que, quando administrada em doses certas, pode mudar completamente o modo ser e estar de qualquer jovem, provenha ele da família que fôr, pois torna os agressivos em ponderados, os fracos em confiantes, os fortes em activos... mesmo que estes parâmetros comportamentais estejam todos trocados, porque o ser solidários uns com os outros torna-os todos iguais e capazes de tudo pelo ideal de vida que os une: O SERVIÇO DE DEUS, DA IGREJA E DA PÁTRIA! Em suma: O serviço do Próximo!
-----Quando rezamos a "ORAÇÃO DO ESCUTA", costumamos dizer:
-----" SENHOR JESUS, ENSINAI-ME A SER GENEROSO, A SERVIR-VOS COMO VÓS O MERECEIS, A DAR-ME SEM MEDIDA, A COMBATER SEM CUIDAR DAS FERIDAS, A TRABALHAR SEM PROCURAR DESCANSO, A GASTAR-ME SEM ESPERAR OUTRA RECOMPENSA SENÃO SABER QUE FAÇO A VOSSA VONTADE SANTA. ÁMEM"
-----E o Chefe Divino não deixará de atender aquilo que Lhe pedes com tanto amor, tanta fé... até porque na "CANÇÃO DA PROMESSA" voltas a pedir-Lhe que atenda a tua Promessa e afirmas o teu amor por Ele.
-----Porque será na fidelidade à tua Promessa, à Lei e aos Princípios que farás jus à farda que envergas. Quando praticares a tua "BOA ACÇÃO" estarás a contribuír para "deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrastes", conforme pede o nosso Fundador, B.P., na sua última mensagem.
-----Será na tua fidelidade à Promessa que terás feito a tua quota parte na mudança do mundo, tornando-te um excelente construtor da paz de Cristo entre os homens.
-----E deste modo, quando encontrares o teu "FIM DE PISTA" e fizeres a "PARTIDA" para o Acampamento Celeste, verás que o Chefe Divino se congratulará pela tua fidelidade ao espírito do Fundador, que também estará à tua espera para te entregar a "FLOR de LIS da FRATERNIDADE", premiando a forma como vivestes a Lei, a Promessa e os Princípios, na fidelidade a Deus, à Igreja e à Patria.
-----Quando tiveres montada a tenda no Acampamento Eterno, poderás enfim perguntar ao FUNDADOR: "Chefe... valeu a pena a caminhada?". E não te admires me ouvires dar-te já a resposta: "Deus deu-me um mundo perfeito na sua concepção, mas o Homem conseguiu desviar o seu equilíbrio, causando-lhe algumas deficiências... que serão corrigidas a preceito por aqueles que saibam estar "SEMPRE ALERTA" para "SERVIR" , predispondo-se à prática de uma "BOA ACÇÂO", "sem esperar outra recompensa senão saber que faz a... vontade santa" do Pai, que está nos Céus.


-----Estes serão os verdadeiros ESCUTEIROS!