quarta-feira, 31 de outubro de 2007

ESCUTISMO e ESCOTISMO - I

KKKK * Para aqueles que vivem estas coisas do "ESCUTISMO" - segundo alguns - ou do "ESCOTISMO" - no entender de outros - certamente estarão "fartos" de tentar defender a "sua dama" com todo o poder de argumentação e presuação de que se mostre capaz o conhecimento que tenha da etimologia da palavra, porque não se torna tarefa fácil conseguir-se dizer com rigor ser cada um dos argumentistas senhor de uma verdade que não tem contestação possível, tal a lógica da argumentação... ou aumentamos a nossas dúvidas e não saímos deste círculo vicioso: ESCUTISMO ou ESCOTISMO? Em que ficamos?
KKKK Segundo os "puristas" destas coisas da palavra escrita, "ESCOTISMO" é o conjunto de opiniões doutrinárias defendidas e definidas pelo filósofo e teólogo franciscano João Duns Escoto, escocês por nascimento, pois nasceu em Maxton ou Duns, na Escócia, em 1266 e faleceu em Colónia, na Alemanha, em 1308. Ensinou em Oxford e em Cambridge, em Paris e em Colónia. Defendeu, em filosofia, o realismo do conhecimento que parte do mundo sensível até atingir Deus, divergindo tanto de Averróis como de São Tomás, aproveitando-se, apesar de tudo, do contributo de Aristóteles e servindo-se da ontologia de Avicena para reforçar as suas teorias agostinianas. Deriva de Avicena o conceito de uma essência indiferente ao universal e ao particular. Foi beatificado em 07 de Maio de 1993. Os seus "discipulos" e fiéis seguidores das suas doutrinas, passaram a ser chamados de "Escotistas" ou "Escotinianos", ficando a sua doutrina conhecida por "ESCOTISMO".
KKKK Outros ainda afirmam ser o ESCOTISMO uma corrente filosófica defendida pelo teólogo irlandês João Erúgena Escoto, em que este separa a filosofia da teologia, principalmente através da reflexão sobre as relações entre Deus e a natureza. A este filósofo se deve o tratado "DE DIVISIONE NATURE".
KKKK Há ainda outro Escoto, de seu nome Tomás Escoto, também ele filósofo e teólogo do século XIV, denunciado como um perigoso herético pelo seu contemporâneo Álvaro Pais, na obra "Colírio da Fé" contra os infiéis" (1341-44). Pouco se sabe da vida e obra deste pensador, que seria, como Duns Escoto, de origem escocesa, havendo até quem avance a hipótese de se tratar do mesmo filósofo, apesar da diferença no nome. As suas heresias são minuciosamente descritas na citada obra de Álvaro Pais, que se encontram traduzidas para português. Terá sido professor na Universidade de Lisboa e supõe-se que terá sofrido a condenação à morte. Tal como o seu acusador, deveria ser um homem ousado e violento, tanto na linguagem como nas opiniões que defendia. O seu "averroísmo" (aristotelismo heterodoxo) foi condenado em Paris desde 1270 a 1277. Segundo o "Colírio", afirmava a eternidade do mundo: NÃO HOUVE PRINCÍPIO NEM HÁ-DE HAVER FIM. Quanto à fé, esta só podia ser defendida pela filosofia, condenando os livros sagrados. Terá mesmo afirmado que Aristóteles era superior a Cristo e mais sábio do que Moisés. Após a sua morte, era o nada que acolhia os homens, ou seja, as almas não existiam. Perante os dados conhecidos, quem será quem? João Duns Escoto não terá sido também Tomás Escoto? Não repugna nada aceitar a ideia de os dois serem um.
KKKK Na definição enciclopédica, ESCOTEIRO é aquele que viaja sem bagagem, pagando as despesas por "ESCOTE", que significa contribuir para uma despesa comum ou quota parte: PAGAR O SEU ESCOTE!
KKKK Escoteiro é também aquele que pratica o "Escotismo" na Associação dos Escoteiros de Portugal (AEP), que, fundada em 06 de Setembro de 1913, é a mais antiga Instituição "Escotista" Portuguesa e que tem sido, ao longo dos longos anos da sua existência, motivo de "estudo" do significado do termo "ESCOTEIRO", dado aos seus elementos, especialmente quando em confronto com o termo "ESCUTA" ou "ESCUTEIRO", usado pelo Corpo Nacional de Escutas (CNE).
KKKK Quando se comemoram os 100 anos do ESCUTISMO, é de bom tom colocar-se à apreciação das pessoas de boa vontade o tema ESCUTISMO versus ESCOTISMO, para que se faça a justiça de homenagear aqueles que, neste centenário, deram o melhor de si na implementação do método deixado pelo Fundador - Lord Robert Smith Stevenson Baden-Powell of Gilwell.
KKKK ESCUTA é aquele que escuta, que está atento, que está ALERTA... ESCOTEIRO é aquele que viaja sem bagagem... o Escuteiro tem necessidade do que a natureza lhe oferece... o Escuta e o Escoteiro vivem segundo o espírito de Baden-Powell.
KKKK Iremos continuar a falar de ESCUTEIROS e ESCOTEIROS, mas apenas porque queremos falar dos 100 anos do Escutismo no mundo, visando o segundo centenário, que está no horizonte daqueles que acreditam que O ESCUTISMO NÃO SE DISCUTE! VIVE-SE!

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

É TÂO LINDO TER 100 ANOS...

...e ter pela frente algo parecido com a vida pujante que um Movimento como o Escutismo demonstrou ter, apesar das barreiras encontradas no primeiro Século de existência, que agora se comemorou- e continuará a comemorar - com a realização de um Acampamento que marcará as próximas gerações de jovens seguidores do Espírito do Fundador.
* Parece que as trombetas da consciência tocaram, estridentes, um pouco por todo o mundo, dando ao Escutismo uma evidência que não lhe era outorgada desde há muitos anos, especialmente pelos Governos das Nações, que teimam em não aceitar como verdade inatacável o facto de que Robert Baden-Powell terá sido o signatário do mais importante elo de união, da construção do mais extraordinário caminho para a paz que a humanidade alguma vez conheceu. Dirá o céptico que ainda está por provar esta asserção, pelo que será importante dizer a estes que o Escutismo é não apenas uma escola de virtudes, mas um caminho de liberdade, uma expressão de dinâmica vivaz capaz de ser pedra angular na construção de um mundo novo, em que o Homem é capaz de partilhar espaços de vida de uma forma total, doando ao seu Irmão em Ideal aquela fraternidade que lhe foi incutida enquanto membro de um Movimento que lhe proporcionou uma diferente prespectiva fraterna de vêr os outros.
* Em Portugal, porque somos filhos diletos desta Pátria de Heróis, de Santos e de Sábios, o Escutismo parece ter adquirido um novo fôlego após o 25 de Abril, mas não é tão verdadeira esta permissa como poderia parecer. A Associação dos Escoteiros de Portugal, fundada a 13 de Seembro de 1913 - será centenária dentro de meia dúzia de anos - passou momente fulgor e outros de angústia, pois a Mocidade Portuguesa, fundada em Maio de 1936, veio a "exigir" para si a exclusiva competência para liderar os Movimentos de Juventude, não compreendendo que o seu estatuto de obrigatoriedade lhe retirava interesse entre os jovens, que sempre se orgulharam do seu desejo de liberdade de opção em tudo o que faziam. Por força do protecionismo de Estado de que a Mocidade Portuguesa possuía, a AEP, inicialmente, e o Corpo Nacional de Escutas - Escutismo Católico Português, fundado a 27 de Maio de 1923 pelo então Arcebispo de Braga, D. Manuel Vieira de Matos e pelo Monsenhor Dr. Avelino Gonçalves, tiveram de lutar abnegadamente para poderem subsistir... até pela extinção ordenada dos Grupos de Escoteiros do Ultramar, cujo espólio foi entregue à Mocidade, tal como se pretendia fazer com os Grupos do Continente, pois chegou a estar em discussão a sua extinção.
* Por tudo isto, fazer 100 anos é lindo, assistir à festa que o mesmo prenuncia é ainda mais bonito... e o Escutismo Mundial tem pernas para caminhar ao encontro do seu 2º. centenário, que será aquilo que os Homens dele pretenderem fazer... esperando sempre que seja um ponto de união das pessoas de todas as latitudes, irmanadas num único ideal: SERVIR DEUS, Pai supremo de todas as criaturas; a IGREJA, Mãe e Mestra daqueles que a procuram para nela se darem as mãos para rogar ao Senhor que seja instrumento de Paz entre todos os Homens de boa vontade; e a PÁTRIA, que somos todos nós e será terra da esperança, do amor e da boa vontade no contexto das Nações.
* Fazer 100 anos... é uma benção vinda dos céus, partilhada por Cristãos, Católicos ou Protestantes, Muçulmanos, Indus, Budistas, Judeus e todas as confissões da Terra! Baden-Powell foi um instrumento de Deus para unir as Nações através de um Ideal de Serviço a que chamou ESCUTISMO!

sábado, 13 de outubro de 2007

ESCUTISMO DO AR... elitista?






H - O Pe. Manuel Gonçalves Pedro, de saudosa memória, recebeu a ideia do Escutismo do Ar de mãos abertas, e comentou: - "Se há na Força Aérea tantos rapazes, entre os Oficiais, Sargentos e Praças que a servem, Caminheiros e Dirigentes Escutistas de grande qualidade, porque tarda tanto em se dar o passo de gigante que é a criação do Escutismo do Ar?".
k - Um passo já havia sido dado há uns anos bastante largos, quando a Associação dos Escoteiros de Portugal lançou um magnífico "Manual do Escoteiro do Ar", do Chefe Fernand'Almiro. Pena é que não tenha tido o acolhimento esperado, porque não havia então a possibilidade de solicitar qualquer cooperação da Força Aérea, que ainda procurava afirmar-se como Arma no contexto das Forças Armadas, pois as "asas" para voar estavam ainda a ser reforçadas para haver um voo em segurança.
mmm - Certo dia, após falar ao Chefe Victor Touricas, do Agrupamento 552 do Entroncamento, na experiência que estava a fazer no Agrupamento que eu então chefiava, de vir a criar uma Sub-Unidade especializada em questões aeronáuticas, estando a alinhavar um regulamento, ele deu-me um trabalho seu sobre aviões e aviação, que poderiam ser uma base de trabalho importante para a consecução do projecto que tinha em mente. Li, reli, tomei apontamentos... e apresentei ao Pe. Gonçalves Pedro o projecto de um Manuel do Escuteiro do Ar, visando a sua aprovação... mas ele foi mais longe: Levou o trabalho ao então Chefe do Estado Maior da Força Aérea, General Mendes Dias, que deu carta branca para que fosse feita uma edição na Central de Publicações da Força Aérea e a mesma fosse distribuída gratuitamente a todos os participantes no Acampamento do Ar (ACAR), realizado em Leiria, na Mata dos Marrazes... mas não havendo tempo para tal acontecer, só veio a ser cumprido este desiderato no ACAR de Setúbal.
G - Nesse Acampamento pude constatar estar a Força Aérea de alma e coração com a ideia, pois quando o Pe. Gonçalves Pedro disse ao Sr. General que a Sacristia da Igreja da Força Aérea estava a servir como local para a instalação da sede da futura Base de Actividades dos Escuteiros do Ar - a B.A.E.A. - logo colocou à disposição uma das moradias que a FAP detinha em Monsanto e bem assim anunciou que iria ser estudada a cedência de um a dois aviões "Chipmunk", que estavam a ser abatidos ao efectivo, viaturas, material de campo, voos de qualificação para os Escuteiros poderem fazer as suas provas de classe, cursos de saltos em páraquedas, etc. Não se calcula a euforia vivida pelos rapas e raparigas presentes do ACAR de Setúbal, quando estas novidades lhes foram transmitidas. Apenas havia que ser oficializada a vertente "Escuteiros do Ar" no Corpo Nacional de Escutas, e isso foi transmitido pelo Pe. Gonçalves Pedro ao Chefe Nacional, através da Junta Reional de Lisboa, visando estudar-se a documentação e apoios existentes, para proposta ao Conselho Nacional de Representantes...
f - ...mas os homens põem e Deus dispõe! O Chefe Nacional do Corpo Nacional de Escutas, Vitor Faria, foi peremptório e definitivo: - "Não vai haver Escutis do Ar nenhum porque não queremos criar élites dentro do CNE! Nem todos podem ser ' Escuteiros do Ar', porque não há pistas e aviões à disposição de todos os que os queiram utilizar e isso é contra o espírito do Fundador, pois ele preconizou o escutismo para todos!". Deu-me vontade de rir esta posição, pois era absoluta entítese daquilo que se pretendia. Ainda tive o apoio do Chefe Regional de Coimbra, actual Chefe Nacional do CNE, Luis Alberto Lindington da Silva... mas ele era só, de pouco servia num Conselho Nacional manipulável pela Chefia Nacional. Tentei fazer vêr que elite era haver um Escutismo com farda própria, a exigir conhecimentos de mar e embarcações... que só eram possíveis perto de cursos de água, em cursos de rio navegáveis ou de mar. O Escuteiro do Ar apenas tinha uma insígnia de capacidade referente à causa do ar, que podia ser de Piloto, Balonista, Paraquedista, Meteorologista... etc. Em actividades próprias do ar, por exemplo nos ACAR, usariam os jovens Escutas, especialistas do Ar, um lenço especial, com a insígnia dos Escuteiros do Ar colocada no bico do mesmo.
D - Estou convencido que terá o Escutismo Católico Português perdido uma oportunidade de ouro para ter as vertentes Escutistas de terra, mar e ar, pois tarde será o tempo em que os apoios voltem a ser concedidos do mesmo modo, pelas grandes transformações que se têm verificado na Força Aérea e no País. E foi pena, pois a causa do ar sempre fascinou os jovens de todos os tempos... e não se vê que venha a perder esse fascinío, a não ser com procedimentos que lhes vão fazendo fenecer a vontade.
h - Voltaremos a este assunto, assim o espero.